FintechLab
FintechLab

Comece a digitar para buscar

Criptomoedas

Mercado cripto pode entrar na fase das stablecoins locais em 2026

Ativos regionalizados ajudam a reduzir fricções cambiais e facilitam o uso de cripto por empresas e consumidores

R

Redação

29 de janeiro, 2026
Compartilhar:
Mercado cripto pode entrar na fase das stablecoins locais em 2026

Resumo

O mercado de stablecoins pode se transformar com o foco em moedas locais, segundo Sebastian Serrano, da Ripio.

Essas inovações prometem menor fricção cambial e maior adoção no cotidiano financeiro.

Importante saber:

  • Stablecoins locais têm potencial para crescer entre 30% e 40% ao ano.

  • O mercado cripto pode estar próximo de um inverno, mas com características diferentes.

  • A adoção institucional deve tornar o mercado mais estável e previsível.

Após alcançar uma capitalização total de aproximadamente U$317 bilhões, o mercado de stablecoins pode experimentar uma mudança a partir deste ano com o aumento do protagonismo das iniciativas atreladas às moedas locais de cada país.  A opinião é de Sebastian Serrano, CEO e cofundador da Ripio, empresa de infraestrutura cripto com mais de 12 anos de atuação na América Latina e com alcance de mais de 25 milhões de usuários.

A razão para este ganho de relevância é que esses ativos regionalizados ajudam a reduzir fricções cambiais e facilitam o uso de soluções cripto por empresas e consumidores. Ele cita como exemplos o wBRL, vinculado ao real brasileiro, a wARS, vinculada ao peso Argentino e já lançada no país vizinho, o wMXN, vinculado ao peso mexicano, entre outras que também serão anunciadas em breve para Chile, Peru e Colômbia – todas elas lançadas pela própria Ripio.

Serrano afirma que, em muitos casos, o uso de stablecoins dolarizadas cria um descompasso com economias locais, já que renda e despesas estão na moeda nacional, enquanto reservas financeiras passam a ser atreladas ao dólar.

O executivo revela que uma das estratégias da Ripio é ampliar o lançamento de stablecoins locais ao longo de 2026, com foco em fortalecer a conexão entre o ecossistema cripto e grandes instituições financeiras. “A oferta de stablecoins cresce entre 30% e 40% ao ano, e o volume de transações acompanha esse ritmo”, afirma Serrano. “É um segmento que cresce independentemente dos ciclos do mercado, e há um consenso no setor de que as stablecoins serão protagonistas na próxima década.”

O mercado cripto está entrando em um “inverno”?

Desde outubro de 2025, o mercado de criptomoedas vem registrando quedas de preço, especialmente o Bitcoin. Esse movimento reacendeu o debate sobre a possibilidade de um novo “inverno cripto” – período marcado por retração e menor atividade no setor. Segundo Serrano, o chamado bear market já está em curso e o Bitcoin pode chegar a cerca de US$ 75 mil ao longo de 2026. Ainda assim, o CEO da Ripio avalia que o momento atual é diferente dos ciclos anteriores.

De acordo com o executivo, a entrada de investidores institucionais e o avanço dos ETFs de Bitcoin ajudaram a tornar o mercado mais estruturado e resiliente. Isso fez com que as quedas recentes fossem mais moderadas, já que há maior participação de compradores vindos do mercado financeiro tradicional. “Não diria que já estamos em pleno inverno, mas talvez estejamos entrando nele. Podemos ter um ou dois trimestres razoáveis antes de uma correção maior”, afirma Serrano. “Se o inverno vier, a tendência é que seja mais curto, de cerca de um ano.”


O que muda no mercado em 2026?

Para Sebastian Serrano, o mercado cripto está entrando em uma fase mais madura. Na prática, isso significa menos oscilações bruscas de preço e mais foco em soluções com uso real, liquidez e aplicação prática no dia a dia. Segundo ele, a presença de grandes investidores ajuda a absorver movimentos de venda que antes provocavam quedas acentuadas. Com isso, o mercado tende a se tornar mais estável e previsível.

“Em 2026, o setor deve ser menos eufórico e mais racional, com menor participação do varejo e maior adoção institucional”, analisa. “No longo prazo, o Bitcoin segue com tendência de valorização, apoiado pela escassez e pelo seu papel como ativo de proteção,” conclui