Começou a vigorar na segunda-feira (2) o MED 2.0, mecanismo do Banco Central que amplia o processo de devolução de valores em transações via PIX. O instrumento estabelece que as instituições financeiras passarão a operar sob um novo patamar de exigência técnica e regulatória que, segundo especialistas, acarretará a necessidade de reforços de rastreabilidade principalmente para fintechs e bancos digitais menores.
Para Rafaela Helbing, CEO e cofundadora da Data Rudder, empresa especializada em inteligência antifraude, além de se adaptar para rastrear as operações em cadeia, estas instituições precisarão realizar bloqueios em múltiplas contas receptoras e contestação automatizada.
A executiva argumenta que a nova regra evidencia que a eficiência na recuperação de valores não pode depender de processos isolados ou de ações reativas. “Instituições que conseguem recuperar valores com mais agilidade e consistência não tratam o MED 2.0 como um evento, mas como consequência direta de uma operação bem monitorada”, afirma a executiva.
Entre as principais mudanças do MED 2.0 está a possibilidade de bloqueio e apuração de contas para além do primeiro recebedor, o que reforça o monitoramento de risco de uso de contas laranja, ou contas de passagem. Isso exige que as instituições envolvidas consigam preservar o contexto transacional de cada operação, configurando um desafio ainda maior para os participantes que tratam crimes financeiros de maneira dissociada.

