A Grana.ai, techfin especializada na integração entre credores e registradoras de transações com cartões para operações com recebíveis, afirma que a implementação do modelo de Split Payment não deve comprometer as estimativas de crescimento do setor nos próximos anos.
Após captar R$ 1 milhão há um ano, em uma rodada liderada por DOMO.VC, SC Angels e WOW Aceleradora, a empresa afirma ter ampliado em mais de 1.900% o volume transacionado na plataforma durante o período, mantendo um ritmo de crescimento de dois dígitos ao mês.
Em entrevista ao FintechLab, o cofundador e COO da empresa, Carlos Gustavo Pulga, disse que a companhia mantém a projeção de alcançar R$ 3 bilhões em volume movimentado na plataforma nos próximos dois anos. Segundo ele, a expansão deverá ser impulsionada tanto pelo avanço das operações com recebíveis de cartões quanto pela entrada no mercado de Duplicatas Escriturais.
Conexão entre credores e registradoras
O modelo de atuação da Grana.ai consiste em conectar credores às registradoras que são responsáveis pelo registro das transações e contratos relacionados aos recebíveis de cartões. A plataforma permite registrar garantias, realizar transferências de titularidade e dar visibilidade aos credores sobre as agendas de recebíveis dos seus clientes, que são originadores de vendas com cartões.
De acordo com Pulga, embora as fintechs representem menos de 10% dos clientes na Grana.ai, elas respondem por cerca de 40% do volume financeiro transacionado, já que cada fintech costuma operar com diversos clientes dentro de sua estrutura. Os demais clientes são securitizadoras, FIDCs, outras instituições financeiras e empresas de outros setores interessadas em usar os recebíveis de cartões de forma estratégica.
Crescimento em ritmo acelerado
O executivo afirma que o crescimento da plataforma reflete tanto a maturidade crescente do mercado quanto a evolução tecnológica e do modelo de negócios da própria empresa. Segundo ele, muitas instituições começaram operando com volumes reduzidos e ampliaram gradualmente suas operações à medida que ganharam confiança na infraestrutura.
“É comum que as instituições entrem nesse mercado com cautela, testando o modelo antes de escalar as operações. Muitos clientes que antes transacionavam volumes pequenos hoje movimentam valores significativamente maiores”, afirma.
Pulga compara a curva de crescimento ao chamado “gráfico em taco de hóquei”, caracterizado por um período inicial de evolução gradual seguido por uma expansão acelerada.
Segundo ele, apenas a base atual de clientes da empresa ainda possui potencial para multiplicar por mais de cinco vezes o volume transacionado. “Mesmo sem a entrada de novos clientes, já existe um potencial de crescimento muito grande. Mas seguimos buscando novas instituições para ampliar ainda mais a base”, afirma.
Mercado de cartões ainda em expansão
A avaliação da empresa é de que o mercado de cartões no Brasil continuará em expansão. Dados do setor indicam que as transações do setor movimentaram cerca de R$ 4,5 trilhões no país no último ano.
Embora parte desse volume seja composta por operações de débito e cartões pré-pagos, o crédito ainda apresenta forte potencial de crescimento. “Ainda existe uma parcela relevante da população sem acesso ao cartão de crédito, e quem já utiliza esse instrumento tende a ampliar o volume de uso”, afirma Pulga.

