O Brasil atinge a quinta posição global em startups unicórnios, com 40% desse total concentrado em fintechs. Essa concentração evidencia tanto o sucesso do ecossistema financeiro quanto a falta de diversidade setorial.
De acordo com o relatório do Insper, apesar do crescimento, a dependência do setor financeiro pode ser uma armadilha para o futuro das inovações no país.
Importante saber:
Brasil empata com Alemanha na criação de unicórnios.
34% dos fundadores são empreendedores seriais.
Apenas 7% dos fundadores são mulheres.
Com um portfólio composto 40% por fintechs, o Brasil alcançou a quinta posição global na geração de startups bilionárias. Segundo o relatório “Unicórnios Brasileiros: Padrões de Escala e Capital”, o país empata nesta colocação com a Alemanha e só fica atrás dos EUA, China, Índia e Reino Unido.
O estudo faz parte do lançamento oficial do Observatório de Inovação e Empreendedorismo do Hub de Inovação e Empreendedorismo Paulo Cunha do Insper, plataforma criada para oferecer ao mercado uma leitura baseada em evidências sobre capital, inovação e maturidade do ecossistema brasileiro.
A pesquisa integrou dados de bases nacionais e internacionais para delinear o perfil das 30 empresas brasileiras que ultrapassaram a marca de US$ 1 bilhão em valor de mercado. Os autores da análise afirmaram que o resultado expressivo conquistado pelo Brasil esconde desequilíbrios. Segundo eles, o ecossistema brasileiro é altamente dependente do setor financeiro e carece de diversidade na liderança.
Por isso, cerca de 40% dos unicórnios nacionais são fintechs, refletindo o diferencial competitivo que o país construiu no setor bancário, mas sinalizando uma baixa diversificação em áreas de tecnologia de fronteira (Deep Techs).
Geograficamente, a concentração é absoluta, quase a totalidade das sedes está no Sudeste, com São Paulo como o epicentro.
Em média, as startups brasileiras levam 7,3 anos e cinco rodadas de investimento para atingir o status de unicórnio. O relatório destaca que o ano de 2021 foi o "ponto de inflexão" do ecossistema, concentrando um terço de todos os unicórnios gerados na história do país, impulsionado por um cenário global de liquidez abundante que dificilmente se repetirá no curto prazo.
Perfil dos fundadores e maturidade do ecossistema
Cerca de 34% dos fundadores são empreendedores seriais, o que sugere aprendizado acumulado e maior capacidade de execução. Por outro lado, apenas 7% são mulheres, evidenciando um desequilíbrio persistente na diversidade de liderança no ecossistema de inovação.
Para Rodrigo Amantea, coordenador executivo do Hub de Inovação e Empreendedorismo Paulo Cunha do Insper, o objetivo do estudo é ir além da celebração dos casos de sucesso e analisar o fenômeno sob uma perspectiva estrutural. “Unicórnios não são apenas histórias inspiradoras, mas sinais econômicos que revelam padrões de capital, setores prioritários e maturidade do ambiente de negócios. Nosso papel é transformar esses dados em leitura estratégica”, afirma.
O relatório aponta que, apesar da consolidação do Brasil como polo relevante na América Latina, o desafio agora está na diversificação setorial e no fortalecimento de áreas de tecnologia de fronteira, reduzindo a dependência de segmentos já consolidados.
Com esse estudo, o Observatório amplia sua agenda de produção contínua de inteligência, reforçando o compromisso do Hub em conectar pesquisa aplicada, empreendedorismo e mercado por meio de evidência empírica e análise comparativa internacional.