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Estudo afirma que regulações inspiradas no modelo europeu sufocam startups brasileiras

Resultado seria um ecossistema com custos altos, insegurança jurídica e dificuldades para lançar novos produtos

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Redação

19 de janeiro, 2026
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Estudo afirma que regulações inspiradas no modelo europeu sufocam startups brasileiras

Resumo

Um novo estudo da organização Livres destaca os desafios impostos por normas rígidas inspiradas na União Europeia para as startups brasileiras.

A pressão por custos altos e insegurança jurídica compromete o lançamento de novos produtos no país.

Importante saber:

  • Normas estrangeiras geram custos altos para startups

  • Sandboxes regulatórios podem ser uma solução viável

  • O Brasil precisa desenvolver um modelo regulatório próprio

Um estudo divulgado pela Livres, organização civil que atua em curadoria de políticas públicas, qualificação de lideranças e participação no debate público, defende a tese de que o Brasil estaria reproduzindo normas rígidas inspiradas na União Europeia sem adaptar essas regras ao contexto econômico e institucional brasileiro. Como resultado, o país estaria criando um ecossistema de startups pressionado por custos altos, insegurança jurídica e dificuldades práticas para lançar novos produtos.

O estudo, feito em parceria com a organização belga EPICENTER, analisa como marcos importados ou inspirados na lógica regulatória europeia - mais detalhada, formalista e avessa ao risco - acabam produzindo efeitos colaterais significativos quando aplicados em economias em desenvolvimento. Os negócios em estágio inicial, segundo o relatório, são os mais impactados, pois, diferentemente de grandes empresas que dispõem de equipes jurídicas e estruturas de compliance robustas, enfrentam barreiras de entrada que podem inviabilizar modelos de negócio antes mesmo de chegarem ao mercado.

Entre os principais efeitos identificados estão:

•             Elevação dos custos iniciais de conformidade, muitas vezes incompatíveis com o caixa de empresas em estágio inicial;

•             Risco de judicialização em áreas ainda sem regulamentação clara;

•             Dificuldade em inovar em setores regulados, como finanças, saúde, mobilidade e educação;

•             Redução da competição, já que normas rígidas tendem a favorecer incumbentes.

O problema, de acordo com o relatório, não está na regulação em si, mas na importação automática de modelos estrangeiros, sem calibragem proporcional ao porte, ao risco e à capacidade institucional do país. “Quando a regra copiada é mais adequada a economias de alta renda, o custo recai de forma desproporcional sobre quem menos pode pagar”, aponta trecho do estudo.

Sandboxes regulatórios surgem como alternativa

Uma das soluções mais promissoras é a ampliação do uso de sandboxes regulatórios, ou seja, ambientes supervisionados nos quais empresas podem testar inovações por tempo limitado, com flexibilização de certas exigências e acompanhamento técnico próximo.

De acordo com o estudo, os sandboxes:

•             reduzem custos iniciais para startups;

•             permitem testar modelos antes de exigir cumprimento pleno de normas;

•             diminuem riscos jurídicos que travam a inovação;

•             ajudam reguladores a entender tecnologias emergentes;

•             criam evidências para calibrar posteriormente leis e normas permanentes.

A ferramenta já é utilizada com bons resultados em setores como o financeiro, mas ainda é pouco explorada na economia digital como um todo. A ampliação do modelo, segundo o Livres, poderia corrigir distorções geradas pela influência do modelo europeu e fortalecer o ambiente nacional de inovação.

“O Brasil precisa desenvolver um modelo regulatório próprio, que una proteção ao consumidor, promoção da inovação e proporcionalidade. Para o ecossistema de startups, isso significa abandonar a lógica de simplesmente reproduzir regras estrangeiras e adotar mecanismos mais flexíveis, capazes de incentivar o empreendedorismo sem renunciar a segurança e responsabilidade”, finaliza Rafael Moredo, coordenador de políticas públicas do Livres.