O conceito de embedded finance está mudando a forma como interagimos com serviços financeiros. Pagamentos invisíveis trazem uma experiência de usuário mais fluida e integrada.
Com a união das APIs e do Open Finance, o Brasil se destaca como líder nessa nova era financeira.
Importante saber:
P&G é uma das empresas que integra serviços financeiros em suas plataformas.
O mercado de embedded finance pode alcançar US$ 228 bilhões até 2028.
Segurança e conformidade regulatória são desafios que devem ser enfrentados.
(*) Por Victor Papi
Uma das tendências mais promissoras e disruptivas no setor financeiro é o conceito de embedded finance, ou, em português, finanças incorporadas. Esse fenômeno vem sendo impulsionado principalmente por duas tecnologias: APIs (Interfaces de Programação de Aplicações) e o modelo de open finance. Juntas, essas soluções estão criando uma nova era de pagamentos invisíveis, que simplificam a interação entre empresas e consumidores, criando uma experiência mais fluida e personalizada, ao mesmo tempo que abrem portas para inovações financeiras.
Pagamentos invisíveis são transações que ocorrem em segundo plano, sem a necessidade de interação direta do consumidor. Em vez de inserir dados bancários ou confirmar manualmente uma compra, o pagamento é processado automaticamente dentro da própria jornada. É o que acontece, por exemplo, em aplicativos de transporte ou marketplaces: a transação é feita de forma integrada, sem interrupções ou redirecionamentos. Além de simplificar a experiência do usuário, esse modelo reduz barreiras de consumo e acelera a adesão a novos serviços financeiros.
No centro dessa transformação estão as APIs, que funcionam como pontes entre diferentes sistemas e plataformas. Elas permitem que empresas integrem serviços financeiros, como pagamento, crédito, seguros ou investimentos, diretamente em seus produtos, sem precisar desenvolver toda a infraestrutura do zero. Essas integrações seguem padrões de segurança e conformidade, o que garante a proteção de dados sensíveis e reduz riscos de fraude.
Paralelamente, o Open Finance tem se consolidado como o alicerce do embedded finance. O modelo permite o compartilhamento seguro de dados financeiros entre instituições, viabilizando ofertas mais personalizadas e competitivas. No Brasil, a iniciativa conta com 103 milhões de autorizações ativas de compartilhamento de dados, envolvendo 68 milhões de contas, segundo o Banco Central. A regulação robusta posiciona o país entre os mais avançados do mundo na integração entre tecnologia e finanças.
Para as empresas, o impacto é claro: jornadas de compra mais fluidas, maior fidelização e novas fontes de receita. Negócios que integram serviços financeiros em suas plataformas podem oferecer crédito, seguros e investimentos diretamente ao cliente, criando ecossistemas completos e de alta conveniência.
Mas o avanço do embedded finance também traz desafios. Segurança da informação e conformidade regulatória, especialmente com a LGPD, exigem atenção constante, além de infraestrutura tecnológica capaz de lidar com alto volume de dados e transações. Apesar disso, as perspectivas são promissoras. De acordo com a Juniper Research, a receita global de embedded finance deve atingir US$ 228 bilhões até 2028, um crescimento de 148% em relação a 2024. O número reforça o potencial desse mercado, que ainda está longe da maturidade.
À medida que APIs e Open Finance se consolidam, o pagamento invisível deixa de ser apenas conveniência e se torna estratégia de negócio. O futuro das finanças é integrado, contínuo e quase imperceptível e o Brasil desponta como um dos principais protagonistas dessa revolução.
(*) Victor Papi é General Manager da Transfeera, empresa da PayRetailers e Instituição de Pagamento (IP) especializada em soluções de pagamentos para empresas.