O agronegócio brasileiro passa por uma revolução digital que impacta financiamentos. Novas tecnologias aumentam a precisão nas análises de risco.
Com soluções inovadoras, pequenos e médios produtores conquistam acesso facilitado ao crédito.
Importante saber:
Uso de imagens de satélite monitorando 2 milhões de hectares.
40% das propriedades utilizam soluções digitais para controle climático.
A tecnologia reduz incertezas e acelera o processo de financiamento.
O processo de digitalização que se consolidou como uma das principais forças de transformação do agronegócio brasileiro começa a ter efeito também na atuação de bancos, fintechs e cooperativas que atuam na concessão de crédito para este setor. O uso de imagens de satélite, conectividade ampliada e inteligência artificial (IA) para acompanhar todas as etapas do ciclo produtivo, do preparo do solo ao pós-colheita tem aperfeiçoado os sistemas de análise de risco e acelerado o crescimento da atividade.
Segundo Esteban Huerta, arquiteto de soluções na BlueShift Agro, empresa especializada em soluções tecnológicas voltadas para o agronegócio, por meio destas tecnologias as instituições financeiras conseguem identificar padrão de cultivo, risco climático e regularidade produtiva com maior precisão, um conjunto de informações decisivo para embasar a aprovação do financiamento.
O executivo ressalta como exemplo o uso de soluções baseadas em sensoriamento remoto por satélite que já monitoram cerca de 2 milhões de hectares no Brasil, permitindo acompanhar o desempenho das áreas ao longo de vários ciclos produtivos.
Segundo ele, esse tipo de tecnologia tem impacto direto no acesso ao financiamento, especialmente para pequenos e médios produtores que sempre enfrentaram obstáculos para comprovar capacidade produtiva ou oferecer garantias tradicionais.
“Com dados estruturados e análises mais completas, conseguimos reduzir incertezas e trazer uma visão muito mais clara do risco. A automação de etapas e a integração de diferentes fontes de informação também tornam as avaliações mais uniformes e menos sujeitas a interpretações individuais”, explica Esteban.
Ele acredita que ao tornar o processo mais rápido, transparente e baseado em evidências, a tecnologia não apenas facilita o acesso ao financiamento, como fortalece a resiliência do agronegócio brasileiro. Sua avaliação é de que para empresas de tecnologia o avanço dessas soluções representa uma oportunidade de consolidar uma nova lógica no campo, em que dados, previsibilidade e inteligência se tornam pilares para um ciclo mais sustentável de crédito, produtividade e inovação.
Segundo dados do Ministério da Agricultura (MAPA), divulgados em 2024, o uso de Soluções digitais já está presente em mais de 70% das propriedades rurais brasileiras, principalmente em atividades de monitoramento de lavouras, controle climático e automação de maquinário.