A Inteligência Artificial já está presente em 80% das seguradoras, mas seu impacto financeiro é limitado.
A pesquisa da CNseg aponta ganhos operacionais, mas as organizações ainda enfrentam desafios significativos.
Importante saber:
84% das seguradoras veem aumento de receita de até 1% com IA.
69% mencionam integração com sistemas legados como maior obstáculo.
68% acreditam que terão processos totalmente automatizados em 5 anos.
Apesar de ter deixado de ser apenas uma aposta para se tornar uma ferramenta das mais relevantes nas diversas jornadas do setor, a Inteligência Artificial ainda não alcançou o patamar de grande alavancador de receitas para o mercado segurador brasileiro. A constatação aparece no estudo Inteligência Artificial e o Setor de Seguros no Brasil, que acaba de ser divulgado pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). A pesquisa informa que para 84% das companhias, o aumento de receita associado ao uso de IA é de até 1%.
Apesar disso, a tecnologia já está implantada em 80% das empresas do setor, impulsionada sobretudo pela IA generativa, que acelerou a revisão de processos internos e a automação de rotinas.
Para o diretor técnico de Estudos e Relações Regulatórias da CNseg, Alexandre Leal, a pesquisa evidencia que a inteligência artificial deixou de ser uma tendência e passou a ocupar papel estratégico no setor de seguros. “O desafio agora é evoluir do ganho operacional para uma transformação estruturada, com foco no consumidor, segurança regulatória e responsabilidade no uso da tecnologia, garantindo que a IA amplie a eficiência do setor sem comprometer a confiança que sustenta o mercado segurador”, destacou.
Apesar do impacto financeiro ainda limitado, os ganhos operacionais são expressivos. Algumas empresas relatam redução de 30% a 50% no tempo de resposta ao cliente, aumento de 30% na produtividade das áreas de TI e crescimento de 100% no volume de cotações realizadas após a adoção de soluções baseadas em IA. Além disso, 88% das organizações afirmam que a tecnologia ampliou suas capacidades tecnológicas existentes.
O estudo indica que o principal motor da adoção em 2025 é o aumento de produtividade, citado por 100% dos respondentes, seguido pela melhoria da experiência do cliente (81%), automação de tarefas (69%) e redução de custos (65%). Ainda assim, a maior parte do mercado avalia que o impacto da IA permanece incremental, sem provocar, por ora, uma disrupção significativa no modelo de negócios.
Na governança, predomina o modelo centralizado de gestão de IA, adotado por 41% das empresas, embora estruturas híbridas (33%) e federadas (26%) ganhem espaço conforme a maturidade organizacional. As áreas de dados, conectadas tanto à TI quanto aos negócios, tendem a liderar essas iniciativas, definindo prioridades, diretrizes e padrões de uso.
As barreiras à expansão da IA seguem relevantes. A integração com sistemas legados aparece como o principal obstáculo, mencionada por 69% das empresas, seguida por desafios relacionados à precisão e confiabilidade dos modelos (58%), falta de expertise técnica e estratégica (46%) e custo de implementação (38%). A dificuldade de mensurar claramente o retorno sobre o investimento (ROI) também limita a criação de equipes dedicadas exclusivamente à IA.
Mesmo diante desses entraves, a visão de longo prazo é de avanço contínuo. Cerca de 68% das empresas acreditam que terão processos totalmente automatizados em até cinco anos, especialmente em áreas como sinistros, subscrição, finanças, atendimento ao cliente e operações. Para 2026, 58% das companhias esperam investir até 1% da receita em inteligência artificial, enquanto 62% projetam reduções de custos superiores a 1%, com uma parcela relevante estimando economias acima de 5%.
O retrato traçado pela pesquisa aponta para um setor em transição: a IA já entrega eficiência, velocidade e padronização, mas o desafio central passa a ser escalar essas soluções com governança, clareza de propósito e segurança, transformando ganhos operacionais em valor econômico mais robusto no médio e longo prazo.