A interrupção no desenvolvimento da moeda digital Drex não freou a evolução da tokenização no Brasil, mas a incentivou.
Com uma nova abordagem descentralizada, o mercado financeiro brasileiro atinge um ponto de não retorno.
Importante saber:
Falta de liderança central resultou em diversas inovações.
Interoperabilidade é fundamental para a nova rede de tokenização.
Brasil se destaca globalmente em iniciativas de tokenização.
A pausa no desenvolvimento do Drex não freou o avanço da tokenização no país. Pelo contrário: segundo especialistas, o movimento acabou descentralizando as iniciativas e acelerando a consolidação da tecnologia, que já teria atingido um “ponto de não retorno” no mercado financeiro brasileiro.
A avaliação foi feita durante o primeiro painel do Next Day #8, evento oficial do programa Next, da Fenasbac. Com o tema “Infraestrutura de tokenização: como o Brasil está construindo a nova versão do mercado financeiro”, o debate foi coordenado pelo diretor de inovação e estratégia da Fenasbac, Rodrigoh Henriques.
Para Luiz Pires, gerente de sustentabilidade de inovação da Anbima, a ausência de uma liderança central após a pausa do Drex levou à fragmentação das iniciativas. “Passamos a ter muitos agentes desenvolvendo soluções de formas diferentes. Isso exige que, no final do dia, todos garantam o mesmo nível de segurança ao investidor”, afirmou.
Segundo ele, a Anbima decidiu atuar na criação de padrões para o setor. A proposta é estruturar uma rede acessível e interoperável. “no futuro o mercado deve ter várias redes de tokenização, mas é fundamental que elas consigam se comunicar. A interoperabilidade será chave”, disse.
A descentralização também abriu espaço para experimentação. De acordo com Marlos Abbati, product owner / manager RTM, o momento estimulou o surgimento de novas soluções tecnológicas. “A pausa do Drex permitiu mais testes e trouxe um efeito de rede positivo. Muitas empresas passaram a explorar desafios que ainda não tinham sido abordados”, explicou.
Apesar do avanço, Abbati destacou que o setor ainda precisa evoluir em padronização e governança. “A tokenização está caminhando para a usabilidade. Hoje estamos como na época dos primeiros celulares, os ‘tijolões’. Precisamos evoluir até chegar a algo equivalente ao iPhone”, comparou.
Já Vanessa Almeida, gerente de inovação digital da Rede Blockchain Brasil (RBB), projeto conduzido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ressaltou o papel do setor público no avanço da agenda. Segundo ela, o Brasil está entre os países mais avançados no tema, com iniciativas estruturantes em andamento.
“A tokenização encurta ciclos e permite decisões mais rápidas, especialmente no crédito. É um movimento global, mas o Brasil tem avançado de forma relevante”, afirmou.
Na avaliação de Paulo Sangali, Head de Ativos Digitais da Núclea, o estágio atual da tecnologia confirma sua consolidação no mercado. “Já ultrapassamos o ponto de retorno. Há diversos casos de captação com custos menores e o crescimento das stablecoins mostra que não se trata de uma tendência isolada”, disse.
Para ele, o cenário indica que a tokenização ainda tem amplo espaço para expansão no país, especialmente à medida que novos casos de uso ganham escala.